Análise: Objetivos do governo Trump para guerra com Irã não param de mudar
O governo Trump continua sugerindo que a guerra com o Irã pode terminar em breve. O motivo? Porque está atingindo seus objetivos.
“Vamos atingir nossos objetivos em questão de semanas, não de meses”, disse o secretário de Estado Marco Rubio à emissora americana ABC News nesta segunda-feira (30).
Mas, quando se trata de definir exatamente quais são esses objetivos, o governo dos Estados Unidos tem sido inconsistente de forma notável.
As autoridades costumam listar quatro objetivos, mas eles frequentemente mudam dependendo da data e de quem os fornece.
E até mesmo as metas mais frequentemente mencionadas foram ajustadas e reduzidas.
Vamos recapitular.
Quatro objetivos, mas raramente os mesmos quatro
Quando os EUA lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o governo Trump havia feito muito pouco trabalho preparatório para justificar a guerra ou definir seus objetivos.
Mas finalmente esclareceu este ponto em 2 de março.
Em uma coletiva de imprensa, o Secretário de Defesa Pete Hegseth descreveu quatro objetivos:
- “Destruir os mísseis ofensivos iranianos”
- “Destruir a produção de mísseis iranianos”
- “Destruir a Marinha e outras infraestruturas de segurança deles”
- “Eles nunca terão armas nucleares”
Esses quatro pontos coincidiram, em linhas gerais, com os itens mencionados pelo presidente Donald Trump em um vídeo divulgado na manhã dos primeiros ataques.
Mas apenas algumas horas depois dos comentários de Hegseth, Trump apresentou uma lista alterada em uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca.
Os números 3 e 4 eram os mesmos, mas os números 1 e 2 foram fundidos em um único objetivo: “Destruir as capacidades de mísseis do Irã.”
E ele acrescentou um novo quarto objetivo relacionado aos grupos apoiados pelo Irã no Oriente Médio, como o Hezbollah e os Houthis: “Garantir que o regime iraniano não possa continuar a armar, financiar e dirigir exércitos terroristas fora de suas fronteiras”.
Dois dias depois, vimos uma divisão semelhante. Rubio repetiu a lista de Hegseth em uma publicação nas redes sociais.
Mas, pouco depois, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, repetiu a lista revisada de Trump. Ela listou quatro objetivos que incluíam, mais uma vez, neutralizar a ameaça indireta, algo que Rubio não havia mencionado.
E a divisão continuou em grande parte nessa linha, com Leavitt incluindo a ameaça indireta, mas outros, como Hegseth e Rubio, omitindo.
Observamos ainda mais mudanças nesta última semana.
Na sexta-feira (27), Rubio acrescentou “destruir a Força Aérea deles” ao seu objetivo previamente declarado de destruir a Marinha iraniana.

E durante entrevistas concedidas na segunda-feira à ABC e à Al Jazeera, he incluiu a destruição da Força Aérea entre os quatro objetivos numerados, em vez de o Irã jamais obter uma arma nuclear.
(Rubio ainda mencionou a possibilidade de impedir o Irã de obter armas nucleares. Mas ele tratou isso mais como um efeito colateral dos objetivos declarados, enquanto Hegseth e Leavitt listaram isso como um dos quatro objetivos enumerados.)
É possível notar a diferença entre as listas que Rubio publicou em 4 de março (que menciona armas nucleares, mas não a Força Aérea) e a que o Departamento de Estado publicou na segunda-feira (que menciona a Força Aérea, mas não armas nucleares).
Mas para que ninguém entendesse a lista de Rubio como a palavra final, Leavitt apresentou na segunda-feira (30) outra lista que diferia daquela que o secretário de Estado havia divulgado em entrevistas no mesmo dia.
Havia três diferenças: a dela não mencionou a destruição da Força Aérea iraniana. Ela listou “impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear” como um objetivo específico, ao contrário de Rubio.
E ela novamente incluiu o combate aos grupos aliados do Irã, apesar de Rubio não os ter mencionado nas entrevistas à ABC ou à Al Jazeera.
A constante mudança de objetivos
E mesmo que o tema geral dos objetivos tenha permanecido consistente, a redação deles evoluiu.
Desde o início, os EUA sinalizaram que buscavam a destruição completa e total do programa de mísseis do Irã. Em 28 de fevereiro, Trump afirmou que os EUA iriam “destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis”.
“Será totalmente, mais uma vez, aniquilado”, disse o presidente.
Em 2 de março, Hegseth afirmou que os objetivos eram “destruir” tanto os mísseis ofensivos do Irã quanto sua produção de mísseis. E Trump disse: “Estamos destruindo as capacidades de mísseis do Irã.”
Posteriormente, esse objetivo evoluiu para incluir a destruição da “capacidade do Irã de fabricar” mísseis, bem como a destruição de seus lançadores de mísseis.
Ao longo da última semana, Rubio parece ter apresentado uma versão mais limitada.
Ele afirmou na sexta-feira que o objetivo era “reduzir drasticamente” os lançadores de mísseis do Irã. Na entrevista à Al Jazeera, ele citou uma “redução significativa” desses lançadores.
Já na entrevista à ABC, disse que a meta era uma “diminuição severa da capacidade de lançamento de mísseis”, e não a destruição completa.
A meta de acesso por procuração também foi reduzida.
Trump afirmou em 2 de março que o objetivo era “garantir” que o Irã “não possa continuar a armar, financiar e dirigir” seus aliados. Isso parece ser muito difícil de alcançar e verificar.

Mas Leavitt posteriormente caracterizou o objetivo como uma tentativa de “enfraquecer” os indicadores indiretos, que seriam mais nebulosos e subjetivos.
O que isso significa
Os dois exemplos acima parecem indicar que o governo Trump está tentando reduzir as expectativas em relação ao que precisa realizar para ter uma campanha bem-sucedida.
Os objetivos iniciais sugeriam que o sucesso só seria alcançado se o Irã não tivesse mísseis ou capacidade de lançá-los, e se grupos aliados como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen fossem isolados.
Os objetivos alterados por Rubio permitem alguma margem de manobra.
Outra grande questão é o quanto o governo enfatiza a eliminação da ameaça nuclear iraniana.
A retórica recente de Rubio pode ser interpretada como uma indicação de que o governo está mais focado em combater os sistemas de lançamento de mísseis do Irã do que em destruir seus 400 quilos de urânio altamente enriquecido — uma missão que muito provavelmente exigiria tropas terrestres.
Numa coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (31), Hegseth apresentou a guerra contra o Irã como diferente de outras guerras recentes dos EUA, onde, segundo ele, a missão era mal definida.
“Naquelas guerras, o foco era sempre a próxima rotação, sem nunca saber quando a missão terminaria ou exatamente qual seria a missão, ano após ano”, disse Hegseth. “Com a [Operação] Epic Fury, isso não acontece.”
Mas é exatamente essa a impressão que os comentários públicos do governo sobre essa guerra têm transmitido.
Isso torna muito difícil medir o sucesso do esforço de guerra quando o governo não consegue nem mesmo apresentar uma lista consistente de quatro objetivos.
E o fato de esses objetivos terem mudado tanto provavelmente não acalmará os temores dos americanos que parecem não entender do que se trata esta guerra.
Análise: A situação da Rússia em meio à guerra no Oriente Médio
O governo Trump continua sugerindo que a guerra com o Irã pode terminar em breve. O motivo? Porque está atingindo seus objetivos.
“Vamos atingir nossos objetivos em questão de semanas, não de meses”, disse o secretário de Estado Marco Rubio à emissora americana ABC News nesta segunda-feira (30).
Mas, quando se trata de definir exatamente quais são esses objetivos, o governo dos Estados Unidos tem sido inconsistente de forma notável.
As autoridades costumam listar quatro objetivos, mas eles frequentemente mudam dependendo da data e de quem os fornece.
E até mesmo as metas mais frequentemente mencionadas foram ajustadas e reduzidas.
Vamos recapitular.
Quatro objetivos, mas raramente os mesmos quatro
Quando os EUA lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o governo Trump havia feito muito pouco trabalho preparatório para justificar a guerra ou definir seus objetivos.
Mas finalmente esclareceu este ponto em 2 de março.
Em uma coletiva de imprensa, o Secretário de Defesa Pete Hegseth descreveu quatro objetivos:
- “Destruir os mísseis ofensivos iranianos”
- “Destruir a produção de mísseis iranianos”
- “Destruir a Marinha e outras infraestruturas de segurança deles”
- “Eles nunca terão armas nucleares”
Esses quatro pontos coincidiram, em linhas gerais, com os itens mencionados pelo presidente Donald Trump em um vídeo divulgado na manhã dos primeiros ataques.
Mas apenas algumas horas depois dos comentários de Hegseth, Trump apresentou uma lista alterada em uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca.
Os números 3 e 4 eram os mesmos, mas os números 1 e 2 foram fundidos em um único objetivo: “Destruir as capacidades de mísseis do Irã.”
E ele acrescentou um novo quarto objetivo relacionado aos grupos apoiados pelo Irã no Oriente Médio, como o Hezbollah e os Houthis: “Garantir que o regime iraniano não possa continuar a armar, financiar e dirigir exércitos terroristas fora de suas fronteiras”.
Dois dias depois, vimos uma divisão semelhante. Rubio repetiu a lista de Hegseth em uma publicação nas redes sociais.
Mas, pouco depois, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, repetiu a lista revisada de Trump. Ela listou quatro objetivos que incluíam, mais uma vez, neutralizar a ameaça indireta, algo que Rubio não havia mencionado.
E a divisão continuou em grande parte nessa linha, com Leavitt incluindo a ameaça indireta, mas outros, como Hegseth e Rubio, omitindo.
Observamos ainda mais mudanças nesta última semana.
Na sexta-feira (27), Rubio acrescentou “destruir a Força Aérea deles” ao seu objetivo previamente declarado de destruir a Marinha iraniana.

E durante entrevistas concedidas na segunda-feira à ABC e à Al Jazeera, he incluiu a destruição da Força Aérea entre os quatro objetivos numerados, em vez de o Irã jamais obter uma arma nuclear.
(Rubio ainda mencionou a possibilidade de impedir o Irã de obter armas nucleares. Mas ele tratou isso mais como um efeito colateral dos objetivos declarados, enquanto Hegseth e Leavitt listaram isso como um dos quatro objetivos enumerados.)
É possível notar a diferença entre as listas que Rubio publicou em 4 de março (que menciona armas nucleares, mas não a Força Aérea) e a que o Departamento de Estado publicou na segunda-feira (que menciona a Força Aérea, mas não armas nucleares).
Mas para que ninguém entendesse a lista de Rubio como a palavra final, Leavitt apresentou na segunda-feira (30) outra lista que diferia daquela que o secretário de Estado havia divulgado em entrevistas no mesmo dia.
Havia três diferenças: a dela não mencionou a destruição da Força Aérea iraniana. Ela listou “impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear” como um objetivo específico, ao contrário de Rubio.
E ela novamente incluiu o combate aos grupos aliados do Irã, apesar de Rubio não os ter mencionado nas entrevistas à ABC ou à Al Jazeera.
A constante mudança de objetivos
E mesmo que o tema geral dos objetivos tenha permanecido consistente, a redação deles evoluiu.
Desde o início, os EUA sinalizaram que buscavam a destruição completa e total do programa de mísseis do Irã. Em 28 de fevereiro, Trump afirmou que os EUA iriam “destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis”.
“Será totalmente, mais uma vez, aniquilado”, disse o presidente.
Em 2 de março, Hegseth afirmou que os objetivos eram “destruir” tanto os mísseis ofensivos do Irã quanto sua produção de mísseis. E Trump disse: “Estamos destruindo as capacidades de mísseis do Irã.”
Posteriormente, esse objetivo evoluiu para incluir a destruição da “capacidade do Irã de fabricar” mísseis, bem como a destruição de seus lançadores de mísseis.
Ao longo da última semana, Rubio parece ter apresentado uma versão mais limitada.
Ele afirmou na sexta-feira que o objetivo era “reduzir drasticamente” os lançadores de mísseis do Irã. Na entrevista à Al Jazeera, ele citou uma “redução significativa” desses lançadores.
Já na entrevista à ABC, disse que a meta era uma “diminuição severa da capacidade de lançamento de mísseis”, e não a destruição completa.
A meta de acesso por procuração também foi reduzida.
Trump afirmou em 2 de março que o objetivo era “garantir” que o Irã “não possa continuar a armar, financiar e dirigir” seus aliados. Isso parece ser muito difícil de alcançar e verificar.

Mas Leavitt posteriormente caracterizou o objetivo como uma tentativa de “enfraquecer” os indicadores indiretos, que seriam mais nebulosos e subjetivos.
O que isso significa
Os dois exemplos acima parecem indicar que o governo Trump está tentando reduzir as expectativas em relação ao que precisa realizar para ter uma campanha bem-sucedida.
Os objetivos iniciais sugeriam que o sucesso só seria alcançado se o Irã não tivesse mísseis ou capacidade de lançá-los, e se grupos aliados como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen fossem isolados.
Os objetivos alterados por Rubio permitem alguma margem de manobra.
Outra grande questão é o quanto o governo enfatiza a eliminação da ameaça nuclear iraniana.
A retórica recente de Rubio pode ser interpretada como uma indicação de que o governo está mais focado em combater os sistemas de lançamento de mísseis do Irã do que em destruir seus 400 quilos de urânio altamente enriquecido — uma missão que muito provavelmente exigiria tropas terrestres.
Numa coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (31), Hegseth apresentou a guerra contra o Irã como diferente de outras guerras recentes dos EUA, onde, segundo ele, a missão era mal definida.
“Naquelas guerras, o foco era sempre a próxima rotação, sem nunca saber quando a missão terminaria ou exatamente qual seria a missão, ano após ano”, disse Hegseth. “Com a [Operação] Epic Fury, isso não acontece.”
Mas é exatamente essa a impressão que os comentários públicos do governo sobre essa guerra têm transmitido.
Isso torna muito difícil medir o sucesso do esforço de guerra quando o governo não consegue nem mesmo apresentar uma lista consistente de quatro objetivos.
E o fato de esses objetivos terem mudado tanto provavelmente não acalmará os temores dos americanos que parecem não entender do que se trata esta guerra.
Análise: A situação da Rússia em meio à guerra no Oriente Médio
