Tecnologia quântica que protege dados com leis da física é vendida nos EUA
Tecnologia chamada por Albert Einstein de “ação fantasmagórica à distância”, o emaranhamento quântico é uma correlação entre duas partículas em que o estado de uma define instantaneamente o estado da outra, independentemente da distância. Restrita por décadas a laboratórios controlados, o recurso já está disponível para compra.
Embora não seja ainda uma provedora de internet quântica completa, a empresa Qunnect, sediada no histórico Brooklyn Navy Yard, em Nova York, já comercializa um serviço de distribuir fótons emaranhados entre dois pontos e um hardware que faz essa “mágica” acontecer de forma contínua e confiável.
Na prática, a deep tech trabalha com a distribuição de chaves criptográficas quânticas. Isso significa que empresas podem contratar a Qunnect para proteger suas comunicações com segurança garantida pelas leis da física, e não apenas pela matemática.
Os fótons emaranhados comercializados — e que já viajam sob o asfalto de Manhattan — são, na prática, partículas de luz que podem ser polarizadas em múltiplas orientações simultâneas: a chamada superposição, que é uma das formas físicas de realizar um bit quântico (qubit).
Porém, diferente de uma rede clássica, onde é possível copiar um pacote de dados sem que ninguém perceba, uma rede quântica obedece ao Teorema da Não Clonagem, que torna impossível copiar a informação. Um hacker que tentasse interceptar o sinal destruiria a mensagem original do fóton.
Batendo recordes mundiais sob as ruas de Nova York

Publicado recentemente no repositório de pré-impressões arXiv, o artigo produzido por pesquisadores da Qunnect e da Cisco Research demonstrou os resultados do experimento histórico realizado na Big Apple: dois nós (pontos de rede) no Brooklyn transmitiram fótons emaranhados por 17,6 km de fibra óptica comercial.
Os números quebram recordes mundiais: mais de 1,7 milhão de pares emaranhados por hora no nó local; 5,4 mil pares por hora sobre fibra implantada — quase 10 mil vezes superior a benchmarks anteriores na mesma plataforma. A fidelidade de polarização ficou acima de 99%, e o parâmetro CHSH confirmou as correlações quânticas.
A grande inovação na arquitetura do hardware Carina, da Qunnect, foi eliminar o laser central compartilhado entre os nós. Agora cada nó periférico tem uma célula de vapor de rubídio. Como átomos desse metal são idênticos em qualquer lugar do mundo, duas células em dois nós diferentes irão sempre produzir as mesmas propriedades quânticas.
Atualmente, a rede GothamQ conecta Brooklyn Navy Yard, Manhattan, Columbia University e Yale University usando fibra óptica já instalada sob a cidade. Embora o hub central — onde ocorre a troca de emaranhamento – exija resfriamento criogênico a -273ºC, os endpoints (pontos dos clientes) dispensam a criogenia.
Em busca da memória quântica de longa duração
A Qunnect já opera além de Nova York: em Berlim, a Deutsche Telekom usou o hardware Carina da empresa para criar a rede BearlinQ, transmitindo emaranhamento por 30 km de fibra urbana com 99% de fidelidade durante 17 dias consecutivos de operação contínua.
O CERN, em Genebra — maior laboratório de física de partículas do mundo — e o estado do Novo México são parceiros confirmados da Qunnect. O Estado de Nova York investiu US$ 300 milhões para transformar a fibra existente em Long Island em um banco de testes quânticos (testbed).
As aplicações são concretas: autenticação de localização geográfica para bancos e bolsas, computação distribuída conectando processadores quânticos, sensoriamento de precisão extrema para GPS, detecção submarina, monitoramento sísmico e proteção garantida contra o temido ataque HNDL (colha agora, decifre depois).
O principal desafio para a expansão da internet quântica para além das redes metropolitanas é a memória quântica de longa duração. Em Nova York, com 17,6 km de fibra, o entanglement swapping — que exige sincronia precisa entre os fótons — ainda é controlado eletronicamente.
Mas em redes transcontinentais, o fóton que chegar primeiro ao hub precisará esperar o parceiro vindo de milhares de quilômetros — e fótons não esperam. São luz: existem em trânsito e somem. É exatamente esse problema que Eden Figueroa — o “pai científico” da Qunnect — dedica-se hoje a resolver.
Cientistas de Oxford conseguem avanço em teletransporte quântico
Tecnologia chamada por Albert Einstein de “ação fantasmagórica à distância”, o emaranhamento quântico é uma correlação entre duas partículas em que o estado de uma define instantaneamente o estado da outra, independentemente da distância. Restrita por décadas a laboratórios controlados, o recurso já está disponível para compra.
Embora não seja ainda uma provedora de internet quântica completa, a empresa Qunnect, sediada no histórico Brooklyn Navy Yard, em Nova York, já comercializa um serviço de distribuir fótons emaranhados entre dois pontos e um hardware que faz essa “mágica” acontecer de forma contínua e confiável.
Na prática, a deep tech trabalha com a distribuição de chaves criptográficas quânticas. Isso significa que empresas podem contratar a Qunnect para proteger suas comunicações com segurança garantida pelas leis da física, e não apenas pela matemática.
Os fótons emaranhados comercializados — e que já viajam sob o asfalto de Manhattan — são, na prática, partículas de luz que podem ser polarizadas em múltiplas orientações simultâneas: a chamada superposição, que é uma das formas físicas de realizar um bit quântico (qubit).
Porém, diferente de uma rede clássica, onde é possível copiar um pacote de dados sem que ninguém perceba, uma rede quântica obedece ao Teorema da Não Clonagem, que torna impossível copiar a informação. Um hacker que tentasse interceptar o sinal destruiria a mensagem original do fóton.
Batendo recordes mundiais sob as ruas de Nova York

Publicado recentemente no repositório de pré-impressões arXiv, o artigo produzido por pesquisadores da Qunnect e da Cisco Research demonstrou os resultados do experimento histórico realizado na Big Apple: dois nós (pontos de rede) no Brooklyn transmitiram fótons emaranhados por 17,6 km de fibra óptica comercial.
Os números quebram recordes mundiais: mais de 1,7 milhão de pares emaranhados por hora no nó local; 5,4 mil pares por hora sobre fibra implantada — quase 10 mil vezes superior a benchmarks anteriores na mesma plataforma. A fidelidade de polarização ficou acima de 99%, e o parâmetro CHSH confirmou as correlações quânticas.
A grande inovação na arquitetura do hardware Carina, da Qunnect, foi eliminar o laser central compartilhado entre os nós. Agora cada nó periférico tem uma célula de vapor de rubídio. Como átomos desse metal são idênticos em qualquer lugar do mundo, duas células em dois nós diferentes irão sempre produzir as mesmas propriedades quânticas.
Atualmente, a rede GothamQ conecta Brooklyn Navy Yard, Manhattan, Columbia University e Yale University usando fibra óptica já instalada sob a cidade. Embora o hub central — onde ocorre a troca de emaranhamento – exija resfriamento criogênico a -273ºC, os endpoints (pontos dos clientes) dispensam a criogenia.
Em busca da memória quântica de longa duração
A Qunnect já opera além de Nova York: em Berlim, a Deutsche Telekom usou o hardware Carina da empresa para criar a rede BearlinQ, transmitindo emaranhamento por 30 km de fibra urbana com 99% de fidelidade durante 17 dias consecutivos de operação contínua.
O CERN, em Genebra — maior laboratório de física de partículas do mundo — e o estado do Novo México são parceiros confirmados da Qunnect. O Estado de Nova York investiu US$ 300 milhões para transformar a fibra existente em Long Island em um banco de testes quânticos (testbed).
As aplicações são concretas: autenticação de localização geográfica para bancos e bolsas, computação distribuída conectando processadores quânticos, sensoriamento de precisão extrema para GPS, detecção submarina, monitoramento sísmico e proteção garantida contra o temido ataque HNDL (colha agora, decifre depois).
O principal desafio para a expansão da internet quântica para além das redes metropolitanas é a memória quântica de longa duração. Em Nova York, com 17,6 km de fibra, o entanglement swapping — que exige sincronia precisa entre os fótons — ainda é controlado eletronicamente.
Mas em redes transcontinentais, o fóton que chegar primeiro ao hub precisará esperar o parceiro vindo de milhares de quilômetros — e fótons não esperam. São luz: existem em trânsito e somem. É exatamente esse problema que Eden Figueroa — o “pai científico” da Qunnect — dedica-se hoje a resolver.
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