Renda de trabalhadores que são alfabetizados pode aumentar em 16%

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Voltar a estudar pela EJA pode transformar vidas, mostra estudo inédito
Um estudo recente mostra que concluir os estudos por meio da EJA (Educação de Jovens e Adultos) pode trazer melhorias significativas na vida de quem precisou abandonar a escola. Os impactos positivos vão desde o aumento da renda até o acesso a empregos melhores e mais estáveis.
Segundo a pesquisa, trabalhadores entre 18 e 60 anos que completam a alfabetização podem ter um aumento de até 16% na renda. Esse impacto é ainda maior entre pessoas de 45 a 60 anos, chegando a 23%. Já quem conclui o 9º ano do ensino fundamental tem um crescimento médio de 4,6% na renda, mas entre os que têm de 26 a 35 anos, esse aumento pode ser de quase 15%.
No caso do ensino médio, a finalização dos estudos pela EJA pode significar um aumento médio de 6% na renda entre os adultos de 18 a 60 anos. Para aqueles com idade entre 26 e 35 anos, o crescimento pode chegar a 10%.
Além do aumento salarial, os adultos que concluem as etapas da educação básica pela EJA também têm mais chances de conseguir empregos formais, com carteira assinada, recebendo pelo menos um salário mínimo e trabalhando até 44 horas semanais.
Mas os benefícios não se limitam ao aspecto financeiro. A autora do estudo, Fabiana de Felicio, destaca que a educação melhora a autoestima, a saúde, a segurança pessoal, o engajamento social e cívico — ganhos importantes, mesmo que mais difíceis de medir.
A pesquisa, feita em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Unesco, reforça que investir na EJA é bom tanto para o indivíduo quanto para a sociedade, pois contribui para o aumento da produtividade, redução da pobreza e diminuição das desigualdades.
No entanto, muitas pessoas ainda não procuram a EJA ou desistem no meio do caminho. A pesquisadora destaca a importância de entender os motivos por trás disso:
- Falta de vagas
- Horários incompatíveis
- Dificuldade de acesso ao local
- Desconhecimento sobre os benefícios da EJA
- Problemas para conciliar trabalho, estudo, segurança, deslocamento ou falta de dinheiro
Segundo o Censo Demográfico de 2022, o número de adultos com 25 anos ou mais sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto caiu de 63,2% em 2000 para 35,2% em 2022. Apesar da melhora, esse índice ainda representa 54 milhões de brasileiros que não concluíram nem o 9º ano do ensino fundamental.
Para mudar esse cenário, o MEC lançou o Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, que prevê:
- 3,3 milhões de novas matrículas na EJA
- Integração com cursos de educação profissional
- Investimento de R$ 4 bilhões em quatro anos
Por : redação
