PF: Abin Paralela espionou Alexandre de Moraes errado

0

Inquérito da Polícia Federal afirma que homônimo do ministro foi monitorado de forma equivocada por servidor da agência

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante julgamento sobre a admissibilidade da denúncia contra Bolsonaro e outros sete acusados

Foto : Antonio Augusto/ST

Em relatório que se tornou público nesta quarta-feira (16), a Polícia Federal (PF) apurou que a “Abin paralela” — utilização da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento ilegal de autoridades e outros cidadãos — monitorou um gerente geral chamado Alexandre de Moraes, com objetivo de espionar o ministro homônimo do Supremo Tribunal Federal (STF).

Moraes é o relator do caso no Supremo e foi quem autorizou a quebra de sigilo do relatório da investigação.

Segundo a PF, sistemas “ilegítimos” de consulta eram utilizados para monitoramento, que acabavam resultando em associações erradas, como pesquisa por homônimos — pessoas que compartilham o mesmo nome.

“O registro, por exemplo, associado à pesquisa de “ALEXANDRE DE MORAES SOARES” não apresenta nenhuma justificativa, levando à plausibilidade de terem sido realizadas 3 (três) pesquisas do homônimo do Exmo. Ministro Relator no dia 18/05/2019. O homônimo alvo da pesquisa, ainda, reside no Estado de São Paulo”, aponta o documento.

O gerente-geral Alexandre de Moraes Soares reside em São Paulo e trabalha numa rede de lojas especializadas no mercado varejista doméstico.

As pesquisas foram feitas diversas vezes, e sem nenhuma justificativa, por um agente de inteligência da Abin chamado Thiago Gomes Quinalia. Como mostrou a CNN, Quinalia foi demitido por abandono de cargo em dezembro do ano passado.

Ainda de acordo com a PF, Quinalia fazia parte do quarto núcleo, chamado de Núcleo-evento portaria 157. Eles eram responsáveis por vincular políticos e magistrados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Quebra de sigilo e principais envolvidos

O sigilo do inquérito da Abin Paralela foi retirado hoje pelo próprio ministro Alexandre de Moraes.

A investigação da Abin Paralela apurou a utilização do sistema de inteligência First Mile, contratado pela agência, para monitoramento de dispositivos móveis sem a necessidade de interferência ou ciência das operadoras de telefonia no país. Também não havia autorização judicial para uso.

De acordo com o STF, a decisão de retirar o sigilo “foi tomada após a constatação de vazamentos seletivos de trechos do relatório policial, que resultaram em matérias contraditórias na imprensa”.

A PF aponta os seguintes nomes como principais envolvidos:

Creditos : CNN

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *