Mulheres negras do Brasil e América Latina marcham por reparação

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Segunda edição da Marcha das Mulheres Negras também pediu o Bem Viver

 Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Os batuques de tambor e o som do agogô foram apenas alguns dos sons que embalaram, nesta terça-feira (25), em Brasília, o cortejo de mulheres negras do Brasil e da América Latina, na segunda edição da Marcha das Mulheres Negras, que pediu “por Reparação e Bem Viver”.  

Foi o que contou Raquel Viana, da Marcha Mundial das Mulheres, que veio do Ceará para se juntar ao ato.   

“A questão da reparação é a luta histórica do povo negro e as mulheres negras trazem para a sua pauta. Essa questão para nós é fundamental. Então, nós entendemos que há uma dívida histórica do Estado brasileiro com o povo negro, mas sobretudo com as mulheres negras. E pelo bem viver, porque é justamente uma sociedade que nós imaginamos que é uma sociedade em que as mulheres têm um lugar de respeito, sem opressão e que têm condições de viver uma vida digna.”

Cinco trios elétricos acompanharam todo o cortejo das mulheres negras, que carregavam na pele, nos penteados, no rosto e nas vestimentas as vivências das ancestrais que, segundo elas mesmas, também estavam presentes nas ruas da capital do país.  

Quem veio de Cuba para a marcha foi a professora de filosofia da Universidade de Havana, Maydi Bayona. Segundo ela, a lógica colonial atravessa muito mais os corpos das mulheres negras.

“Estou aqui representando todas as nossas mulheres negras, nossas ancestrais que já partiram, mas que nos reuniram aqui para exigir justiça reparadora, por nosso conhecimento, por nossos filhos perdidos, arrancados pela lógica colonial, pela miséria, pela dignidade. A lógica colonial afeta todas as mulheres, mas especialmente os corpos negros”.

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