Investimento social corporativo cresce e supera R$ 6 bilhões
Pesquisa mostra avanço de 20% nas ações de responsabilidade social

Empresas e instituições do Brasil destinaram mais de seis bilhões de reais para ações de impacto social no ano passado. O número representa um aumento de quase 20% em relação a 2023. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira em uma pesquisa da Comunitas, organização da sociedade que funciona como um laboratório de ideias voltado ao fortalecimento da gestão pública brasileira.

A pesquisa indicou que o crescimento do investimento social corporativo foi impactado, principalmente, pelos recursos próprios das organizações. Em 2024, eles chegaram a quase cinco bilhões de reais, uma elevação de 35% na comparação com 2023. Os recursos incentivados somaram quase um bilhão e meio de reais.
O levantamento apontou também que os jovens permanecem como o grupo populacional prioritário dos investimentos, como ressalta a diretora de investimento social da Comunitas, Patricia Loyola.
“A gente tem, no Brasil, um apagão de talentos. Não é um problema só do Brasil, é mundial, mas, com nosso contexto de vulnerabilidade social e desigualdade alta, se intensifica. A digitalização vai intensificar esse gap ainda mais, porque os países em desenvolvimento vão ter maior dificuldade de alcançar os patamares de países desenvolvidos, e as empresas sentem isso na pele.”
Segundo a Comunitas, a publicação oferece uma visão estratégica sobre o investimento social corporativo no país, que pode ajudar o planejamento de empresas, institutos e fundações. Patricia Loyola acrescenta que o perfil de atuação da rede se estrutura como um modelo financiador.
“O que vem crescendo é um movimento de co-investimento, que são as alianças e parcerias. As empresas entenderam que, sozinhas, não vão conseguir resolver o tamanho do problema. Então, elas estão se aliando com suas cadeias de valor, com empresas do seu setor. O co-investimento pode se dar por causa ou territórios.”
Os temas que estão no topo das escolhas dos investidores sociais são educação e cultura, além da evolução que vem ocorrendo em inclusão produtiva. Patricia Loyola também destacou que ações urgentes voltadas para as emergências climáticas se tornaram unanimidade entre as empresas em 2024.
“O campeão, digamos assim, de alcance que todas as empresas fizeram alguma coisa em 2024 foram as ações emergenciais, voltadas para as emergências climáticas. Ações mais humanitárias são as mais comuns de acontecer, com potencial grande de as empresas olharem mais para as ações de prevenção e adaptação climática, porque a gente não está mais no risco de emergências climáticas, a gente está vivendo as emergências.”
A última edição da pesquisa analisou informações de 337 unidades de negócios e 22 institutos e fundações corporativas.
