Haddad pediu novas reuniões para discutir cortes de gastos, diz Hugo

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Para o presidente da Câmara, é indispensável que o Executivo participe ativamente da construção da agenda

Foto : Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (16) que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, solicitou novas reuniões para discutir uma agenda de cortes de despesas.

Segundo ele, o governo ainda não apresentou nenhuma proposta concreta, mas demonstrou compromisso com a pauta.

“O que há do governo é um compromisso de apresentar uma agenda de propostas sobre os cortes de despesas. Nós estamos aguardando”, disse Hugo ao chegar para a sessão que vai analisar a urgência de um requerimento para derrubar o decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O parlamentar afirmou que, por enquanto, o que existe é uma promessa do Executivo de apresentar sugestões. O deputado relatou que conversou por telefone com Haddad na última sexta-feira (13), quando o ministro voltou a pedir encontros para tratar do tema.

Para o presidente da Câmara, é indispensável que o Executivo participe ativamente da construção da agenda.

“Não tem como se ter agenda de corte de gastos no Brasil, uma agenda de corte de despesas, que o Executivo não participe”, defendeu. “Nós também temos que ter uma agenda com perspectiva de votação. Não adianta ter uma agenda impossível de ser aprovada”, ponderou.

Motta reforçou que essa posição é compartilhada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e cobrou mais engajamento do governo.

Ele também fez questão de lembrar que o Congresso tem sido parceiro da equipe econômica e aprovou projetos enviados pelo governo nos últimos dois anos, e que a “lealdade” continuará, desde que haja responsabilidade e posicionamento do governo.

Para ele, a falta de clareza prejudica o andamento das pautas econômicas e afeta a previsibilidade.

Segundo Motta, o Legislativo está pronto, mas é preciso que o Executivo apresente propostas “reais e factíveis”. Ele disse que entende a complexidade do tema, mas cobrou ação.

“A gente sabe que cortar despesa não é fácil, mas também não dá para continuar empurrando esse debate para frente. A hora é agora”, afirmou. Por outro lado, voltou a dizer que não há espaço no Congresso para aumento de impostos.

“O Congresso não vai aprovar aumento de imposto. Não tem ambiente para isso.” “A gente precisa discutir é o gasto. Onde dá para cortar, onde dá para melhorar a eficiência”, pontuou.

Motta ainda pontuou que o Congresso tem sido parceiro, mas agora “é a vez do governo mostrar que também está comprometido com essa agenda”.

A fala de Hugo ocorreu momentos antes da votação do regime de urgência do projeto que susta o novo decreto do governo sobre o IOF. A proposta mira a terceira norma publicada pelo Executivo desde maio com alterações nas alíquotas do imposto, como parte de um pacote para elevar a arrecadação.

A decisão de pautar a urgência foi tomada pelo presidente da Câmara em reunião com líderes partidários e é interpretada como um recado ao Palácio do Planalto.

O aumento no IOF foi inicialmente anunciado em 22 de maio, mas, diante da repercussão negativa, o governo recuou parcialmente no mesmo dia. Em nova tentativa de calibragem, um terceiro decreto foi publicado na última quinta-feira (11), com expectativa de arrecadação menor: cerca de R$ 7 bilhões em 2025 — abaixo dos R$ 18 bilhões estimados inicialmente.

Por CNN

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