Corredores em risco: por que os atropelamentos viraram uma ameaça nas ruas de Salvador?

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Entre agosto e outubro, ao menos três corredores foram atropelados enquanto se exercitavam nas ruas de Salvador

Por: Metro 1

foto : Reprodução

Quem olha para as avenidas de Salvador nas primeiras horas da manhã vê uma cena cada vez mais comum: dezenas de corredores colorindo o asfalto, suando, respirando fundo e dividindo espaço com os carros. Mas o que deveria ser um momento de saúde e liberdade tem se transformado em um cenário de medo.

Em pouco mais de um mês, três episódios trágicos chamaram atenção da comunidade esportiva. O atleta profissional Emerson Pinheiro, de 29 anos, perdeu uma perna após ser atingido na Orla da Pituba, em agosto. Pouco tempo depois, a policial rodoviária federal Marta Maria dos Santos, de 60, morreu no mesmo trecho. Já no último sábado (18), Edmilson Ferreira da Silva foi atropelado enquanto treinava no Centro Administrativo da Bahia. Ele segue internado no Hospital Geral do Estado.

O que une esses casos? Motoristas em alta velocidade — alguns sob efeito de álcool — e a falta de espaços realmente seguros para quem corre pelas ruas da capital.

Segundo Alan Nunes, organizador do grupo SSAquecorre, o crescimento da corrida de rua em Salvador é notável, mas o poder público parece não acompanhar o ritmo.

“O número de corredores é cada vez maior, e a cidade precisa olhar para esse público. Se Salvador realiza uma maratona com quase 12 mil pessoas, também deve garantir segurança para quem treina diariamente”, diz.

Alan conta que a comunidade de atletas tem se mobilizado para conversar com órgãos de trânsito e buscar soluções. “Casos como os do Emerson e da Marta nos lembram que qualquer treino pode se tornar perigoso. É triste, mas nos obriga a pensar em formas de prevenção.”

A Transalvador não possui dados específicos sobre atropelamentos envolvendo corredores, mas os números gerais assustam: 43 pessoas morreram e 332 ficaram feridas entre janeiro e setembro deste ano. Em 2024, foram 57 mortes e 480 feridos. A imprudência no trânsito soteropolitano, ao que parece, ainda corre solta.

Entre as vias mais perigosas estão a Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana), com 21 atropelamentos só neste ano, seguida da Octávio Mangabeira e da Antônio Carlos Magalhães, com 16 e 15 casos respectivamente.

Enquanto os números crescem, a pergunta continua ecoando entre os corredores: até quando o asfalto de Salvador será um campo de risco para quem só quer correr?

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