Volume de remessas de imigrantes cresce 94% em dez anos e chega a US$ 728 bilhões

Foto: REUTERS/Lee Jae-Won
Agência da ONU aponta que dinheiro enviado por trabalhadores para seus países de origem cresce em ritmo muito superior ao fluxo migratório global.
O montante de dinheiro enviado por trabalhadores imigrantes para suas famílias em países de renda baixa e média atingiu US$ 728 bilhões no último ano, registrando um salto de 94% em uma década. Os dados, divulgados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) — agência especializada da ONU —, mostram que o volume financeiro cresceu em ritmo drasticamente superior ao do próprio fluxo migratório, que aumentou 28% no mesmo período.
Atualmente, cerca de 220 milhões de migrantes ao redor do mundo sustentam mais de 1 bilhão de familiares. Em média, cada pessoa realiza entre 9 e 10 transferências por ano, enviando quantias que variam de US$ 300 a US$ 400 por vez.
O impacto dessas remessas supera amplamente a ajuda internacional oficial: o valor enviado diretamente pelos trabalhadores é quatro vezes maior do que todo o financiamento concedido por governos de países ricos para apoiar o desenvolvimento de nações mais pobres.
Destino dos Recursos e Impacto Regional
A maior parte do capital atende às necessidades mais urgentes de subsistência:
75% do total é destinado a despesas imediatas, como alimentação e moradia.
25% restante é aplicado em saúde, educação, poupança e abertura de pequenos negócios.
Embora quase metade dos valores globais se concentre em cinco países (Índia, México, Filipinas, Egito e Paquistão), a América Latina e o Caribe registraram a expansão mais acelerada, com alta de 132% nos envios em dez anos. Em nações centramericanas como Honduras, El Salvador e Nicarágua, o dinheiro enviado por parentes no exterior já equivale a até 30% do PIB nacional.
Cenário no Brasil e Projeções Futuras
No Brasil, o recebimento de remessas somou US$ 4,7 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de 74% em relação a 2016. Apesar da alta, o volume tem um peso proporcionalmente menor na economia local, correspondendo a menos de 0,5% do PIB brasileiro.
A tendência global é de contínua expansão. A ONU projeta que, até 2030, os países em desenvolvimento recebam um acumulado de US$ 3,6 trilhões.
O relatório destaca ainda a importância de tecnologias de pagamento instantâneo para baratear e agilizar essas transações, citando o Pix brasileiro como um modelo de infraestrutura pública bem-sucedido em encurtar o caminho do dinheiro até as famílias beneficiadas.
