Analistas veem Copom em xeque diante de fiscal e inflação desancorada

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Analistas veem Copom em xeque diante de fiscal e inflação desancorada

Às vésperas da superquarta dos juros, economistas enxergam um cenário macroeconômico que parece não dar sinais de alívio para o Banco Central brasileiro. A expectativa de um corte tímido da Selic – de 0,25 ponto percentual – tende a se concretizar nesta quarta, apesar de não ser um consenso no mercado financeiro, que se divide com quem aposte que o Copom encerre mais cedo o pequeno ciclo de afrouxamento das taxas.

O grande desafio para o BC é a combinação de fatores que resultam numa “tempestade perfeita”, com expectativas de inflação desancoradas, política fiscal expansionista e eventos climáticos extremos. Esse diagnóstico foi feito por economistas que participaram nesta terça-feira (16) do evento “Oportunidades de Investimento no Brasil e no mundo”, realizado pela Inter Asset.

“A inflação está desancorada. Teremos um IPCA acima de 5% para este ano e, em 2027, as expectativas já estão desancoradas. Nenhum país consegue fazer o ambiente de negócio ser competitivo nesse patamar”, destacou Alexandre Silvério, CEO e CIO da Tenax Capital.

Gustavo Pessoa, que e sócio fundador da Legacy Capital, avalia que existe uma “disputa” entre a política monetária e a política fiscal. Segundo ele, enquanto o BC mira a meta de 3% para a inflação, o fiscal parece agir por uma meta de 5%.

Além do fiscal, o economista cita os efeitos do projeto que acaba com a escala 6×1. A avaliação é de que a mudança eleve os custos para o setor produtivo, que terá de compensar a queda de horas trabalhadas pelos colaboradores.

“[A PEC] tira a flexibilidade do mercado de trabalho. Num primeiro momento, a renda fica bem, mas depois vai aumentar o desemprego e a informalidade, e piorar a oferta de serviços por parte das empresas. Isso também desancora a expectativa de inflação”, afirmou.

Pessoa diz que a 6×1 já entra na conta dos analistas do mercado financeiro em suas projeções macroeconômicas e lembrou do Boletim Focus, que tem divulgado um aumento das expectativas para o IPCA e os juros neste ano.

O relatório da segunda-feira (15), trouxe uma nova alta nas expectativas para os preços e agora vê a inflação a 5,30% em 2026. Os economistas ouvidos pelo BC elevaram ainda a estimativa para a taxa Selic e projetam um juro a 13,75% neste ano, ou seja, um espaço menor para a continuidade do ciclo de cortes pelo Copom.


Evento do Inter com economistas debateu o cenário macroeconômico do Brasil e do mundo • Crédito: Jorge Metne

Um dos principais itens que pressionam o IPCA são os alimentos. Na inflação de maio, o grupo teve a maior alta para o mês em 18 anos. O próprio IPCA teve no período a maior taxa para maio desde 2021.

Agora com o El Niño, os economistas veem uma piora desse indicador, com foco nos produtos chamados in natura, como e o caso de frutas e legumes, que devem ter sua produção prejudicada pelo fenômeno.

O desafio da política monetária, no entanto, não afeta apenas o Brasil. O Federal Reserve também se vê diante de um dilema, com a tensão permanente no Oriente Médio e dados de atividade econômica aquecida nos Estados Unidos.

Ian Lima, gestor de portfólio de renda fixa na Inter Asset, chama a atenção ainda para o elevado nível de investimentos – o capex – que empresas e governos estão direcionando para inteligência artificial e na construção de data centers.

Lima entende que esse movimento já pressiona os preços nos Estados Unidos. Gustavo Pessoa reforça a análise e disse ainda que os cálculos apontam que a IA já faz um peso de cerca de 1% dentro da inflação americana. Para o Fed, o mercado prevê que a taxa siga inalterada.

Às vésperas da superquarta dos juros, economistas enxergam um cenário macroeconômico que parece não dar sinais de alívio para o Banco Central brasileiro. A expectativa de um corte tímido da Selic – de 0,25 ponto percentual – tende a se concretizar nesta quarta, apesar de não ser um consenso no mercado financeiro, que se divide com quem aposte que o Copom encerre mais cedo o pequeno ciclo de afrouxamento das taxas.

O grande desafio para o BC é a combinação de fatores que resultam numa “tempestade perfeita”, com expectativas de inflação desancoradas, política fiscal expansionista e eventos climáticos extremos. Esse diagnóstico foi feito por economistas que participaram nesta terça-feira (16) do evento “Oportunidades de Investimento no Brasil e no mundo”, realizado pela Inter Asset.

“A inflação está desancorada. Teremos um IPCA acima de 5% para este ano e, em 2027, as expectativas já estão desancoradas. Nenhum país consegue fazer o ambiente de negócio ser competitivo nesse patamar”, destacou Alexandre Silvério, CEO e CIO da Tenax Capital.

Gustavo Pessoa, que e sócio fundador da Legacy Capital, avalia que existe uma “disputa” entre a política monetária e a política fiscal. Segundo ele, enquanto o BC mira a meta de 3% para a inflação, o fiscal parece agir por uma meta de 5%.

Além do fiscal, o economista cita os efeitos do projeto que acaba com a escala 6×1. A avaliação é de que a mudança eleve os custos para o setor produtivo, que terá de compensar a queda de horas trabalhadas pelos colaboradores.

“[A PEC] tira a flexibilidade do mercado de trabalho. Num primeiro momento, a renda fica bem, mas depois vai aumentar o desemprego e a informalidade, e piorar a oferta de serviços por parte das empresas. Isso também desancora a expectativa de inflação”, afirmou.

Pessoa diz que a 6×1 já entra na conta dos analistas do mercado financeiro em suas projeções macroeconômicas e lembrou do Boletim Focus, que tem divulgado um aumento das expectativas para o IPCA e os juros neste ano.

O relatório da segunda-feira (15), trouxe uma nova alta nas expectativas para os preços e agora vê a inflação a 5,30% em 2026. Os economistas ouvidos pelo BC elevaram ainda a estimativa para a taxa Selic e projetam um juro a 13,75% neste ano, ou seja, um espaço menor para a continuidade do ciclo de cortes pelo Copom.


Evento do Inter com economistas debateu o cenário macroeconômico do Brasil e do mundo • Crédito: Jorge Metne

Um dos principais itens que pressionam o IPCA são os alimentos. Na inflação de maio, o grupo teve a maior alta para o mês em 18 anos. O próprio IPCA teve no período a maior taxa para maio desde 2021.

Agora com o El Niño, os economistas veem uma piora desse indicador, com foco nos produtos chamados in natura, como e o caso de frutas e legumes, que devem ter sua produção prejudicada pelo fenômeno.

O desafio da política monetária, no entanto, não afeta apenas o Brasil. O Federal Reserve também se vê diante de um dilema, com a tensão permanente no Oriente Médio e dados de atividade econômica aquecida nos Estados Unidos.

Ian Lima, gestor de portfólio de renda fixa na Inter Asset, chama a atenção ainda para o elevado nível de investimentos – o capex – que empresas e governos estão direcionando para inteligência artificial e na construção de data centers.

Lima entende que esse movimento já pressiona os preços nos Estados Unidos. Gustavo Pessoa reforça a análise e disse ainda que os cálculos apontam que a IA já faz um peso de cerca de 1% dentro da inflação americana. Para o Fed, o mercado prevê que a taxa siga inalterada.

 

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