Para Dirceu, atuação do Banco Central no caso Master revela ‘impunidade’

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Foto:  Lula Marques/Agência Brasil

O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal José Dirceu voltou a criticar publicamente o Banco Central (BC) após a decisão de liquidar extrajudicialmente o Banco Master, anunciada na terça-feira (18). Em pronunciamento publicado nas redes sociais, Dirceu afirmou que a medida levanta dúvidas ainda não esclarecidas e que o órgão regulador precisa dar explicações formais à sociedade e ao Congresso.

No vídeo, o ex-ministro declarou que considera o caso marcado por “impunidade e irresponsabilidade” e que há falhas significativas na comunicação do BC sobre os motivos que levaram à liquidação, bem como sobre seus efeitos para o mercado e para os investidores. Ele argumentou que, diante da gravidade do episódio, seria essencial que o Banco Central detalhasse quais riscos foram identificados, quais procedimentos foram adotados e qual o impacto potencial para o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Dirceu também ampliou suas críticas para o ambiente financeiro como um todo. Segundo ele, o crescimento acelerado de fintechs nos últimos anos, aliado a episódios envolvendo infiltração do crime organizado em algumas dessas empresas, demonstra fragilidades no sistema de supervisão. O ex-ministro questionou a capacidade do BC de acompanhar a evolução tecnológica do mercado financeiro e apontou falta de rigor na fiscalização. Para ele, a liquidação do Master é apenas um sintoma de problemas mais profundos.

Em sua fala, Dirceu também abordou o nível de juros no país, criticando a política monetária atual. Ele questionou como instituições financeiras conseguem oferecer rendimentos de 25% a 30% ao ano sem comprometer sua sustentabilidade e afirmou que o patamar da taxa Selic — segundo ele excessivamente elevado — agrava o risco de uma crise estrutural. Para Dirceu, a combinação de juros altos, supervisão limitada e crescimento rápido de novos modelos de negócio financeiros cria um ambiente de vulnerabilidade para consumidores e investidores.

A liquidação extrajudicial do Banco Master determinou a paralisação imediata das operações da instituição e sua retirada do SFN. Como prevê a regulamentação, depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Valores superiores entram na massa a ser liquidada, e não há prazos ou montantes estimados para pagamentos futuros, conforme informou o próprio BC.

Diante desse quadro, Dirceu defendeu que o Senado Federal convoque formalmente a diretoria do Banco Central para prestar esclarecimentos. Ele argumenta que o Legislativo tem responsabilidade de supervisionar órgãos reguladores e de exigir transparência em situações que afetam milhões de clientes e investidores. De acordo com o ex-ministro, a convocação deve tratar não apenas do caso do Master, mas também das condições da fiscalização bancária no país, dos critérios de supervisão aplicados a fintechs e da política de juros adotada pela autarquia.

Dirceu concluiu afirmando que o Banco Central precisa demonstrar ao público que está atuando com eficácia e que possui controle sobre as transformações do setor financeiro, especialmente diante de riscos recentes envolvendo fraudes, operações suspeitas e atuação de grupos criminosos. Para ele, a falta de esclarecimentos aprofunda a desconfiança e compromete a credibilidade das instituições responsáveis por proteger o sistema financeiro.

Por: redaçâo

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